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12 de dezembro de 2009

Distúrbio mental pode tingir mais de 176 mi de pessoas no mundo

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A correria da 'vida moderna' tem abalado a saúde mental dos indivíduos. É comum o parecer médico apontar distúrbios de comportamento e até mesmo mentais numa sociedade cada vez mais acelerada e fóbica. O estresse é considerado como um dos vilões que afentam a qualidade de vida das pessoas e a depressão é apenas um indício de que algo não está bem.

De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde, estima-se que até 2010 o número de pessoas que sofrerão com algum tipo de distúrbio mental chegue a 176 milhões. Só no Brasil, em 2008, quase 13 mil pessoas foram afastadas de suas funções devido a algum transtorno mental ou de comportamento. Nos casos mais graves, consequentemente, é preciso tratamento psicossocial, além da prescrição de medicamentos que contribuam para o restabelecimento do indivíduo.

A Lei Paulo Delgado nº. 10.216, aos poucos vem, promovendo um novo viés ao tratamento dos distúrbios mentais. Tentativa de minimizar os estigmas de séculos de exclusão proporcionada pelos asilos psiquiátricos.

No Brasil, a reforma na atenção psiquiátrica, exigida desde a década de 70, e celebrada apenas a partir de 2001, traça os primeiros passos rumo à recuperação socialmente correta de quem sofre com o problema. Essa recuperação, porém, anda a passos lentos, principalmente quando o doente é pobre e necessita de tratamento gratuito.

O caso de Pedro Vicente, que passou a ser conhecido após fuga cinematográfica registrada pelas câmeras dos jornais, é um exemplo de como ainda é difícil tratar quem foi diagnosticado possuidor de algum transtorno mental.

Abandonado pela mãe com 1 ano, Pedro foi criado pelo pai. Aos 9 anos, começou com maconha, comprada em frente ao Colégio Estadual Luis Vianna Filho, em Brotas, onde estudava. Aos 12, ganhou do traficante uma arma para tomar conta de uma boca-de-fumo. Mas a esquizofrenia só foi detectada aos 14, quando ele não concluiu a 5ª série (CORREIO. Crack destrói família do 'Homem-Aranha' fotografado pelo CORREIO, 2009).

Raimundo dos Santos, 54 anos, tem buscado internar o filho em diversos hospitais psiquiátricos de Salvador. “Estive no Sanatório São Paulo, o Mário Leal, o Juliano Moreira. Se alguém aceita ele, não estava daquele jeito no jornal”, lamentou .


O Centro de Atenção Psicossocial Aristides Novis (CAPS), aceitou tratá-lo, porém Pedro, ao começar o tratamento, logo desistiu. Para o pai, o ideal seria tirar o filho do ambiente onde haja facilidade de conseguir drogas. Opinião refletida a do psiquiatra Esdras Cabus. “Quando existe comorbidade com outra doença psiquiátrica, a situação ainda é mais dramática”, pontuou.

Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são serviços de saúde mental abertos e comunitários do Sistema Único de Saúde – SUS, destinados a prestar atenção diária a pessoas com transtornos mentais severos e persistentes. Seu objetivo é oferecer atendimento à população de sua área de abrangência, realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.

Discípulo de Philippe Pinel, o psiquiatra Frances Jean-Étienne Dominique Esquirol (1772-1840), reconhecido por ter diferenciado a demência (doença mental) e amência (deficiência mental), justificou o isolamento dos doentes mentais como meios de garantir a segurança pessoal deles e de seus familiares.

A existência de posição favorável às internações para Michel Foucault (2007, p. 109) se correlaciona às exigências da ordem social contra a desordem dos loucos; mas, há quem brigue para que os Centros de Atenção Psicossocial tomem o lugar dos antigos manicômios.

No dia 30 de setembro de 2009, cerca de duas mil pessoas se reuniram em frente ao Museu da República, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A esse movimento foi dado o nome de Marcha Antimanicomial, evento promovido pela Rede Nacional de Internúcleos da Luta Antimanicomial, com o apoio do Conselho Federal de Psicologia que, além de defender o Sistema Único de Saúde, luta pelo cumprimento da lei da reforma psiquiátrica, a realização da 4ª Conferência Nacional de Saúde Mental e a implantação do programa de Volta Para Casa.

Fala-se muito da importância que a reforma tem no trato psiquiátrico e o quanto é necessário recuperar a dignidade de quem sofre com o problema. Pouco se fala, porém, é que o problema mais grave hoje é a saúde social.

Enquanto nossa sociedade não tratar devidamente tais conflitos, muitos Pedros verão o futuro de uma vida digna escoar pelo ralo da burocracia.
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Quatro histórias... "Meu olhar do mundo, aqui do escuro”

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Compreender o mundo visual de quem enxerga do escuro foi o estímulo que norteou os primeiros passos no desenvolvimento do mine documentário intitulado “Quatro histórias... Meu olhar do mundo, aqui do escuro”,

Encontrar pessoas que pudessem falar desse universo desconhecido foi o primeiro desafio encontrado, apesar das estatisticas apontarem o contrário. Só na capital baiana cerca de 450 mil pessoas convívem com a deficiência visual, de acordo com o diretor de Educação e Cultura da Associação Baiana de Cegos, Ednilsom Sacramento. Vencido este primeiro desafio, o segundo não tardou a surgir: vencer a ideia particular e pré-concebida de ter que ser politicamente correto e escolher palavras sinônimas a “cego” no trato com os deficientes visuais.

O medo de causar constrangimento, porém, teve que ser esquecido. Afinal, como não ser, não dizer, não saber exatamente o que se é? A partir daí, olhos, antes cegos pela luz do dia, pelo bombardeio de imagens, viu-se a enxergar novas possibilidades de interagir com o mundo através dos olhos de quem não vê.

2 Conhecendo o desconhecido
Ao consultar um dicionário, percebi vários significados na língua portuguesa que define o que é ser “cego”. Ser cego, portanto, significa ser alucinado; ignorante; quem não sabe discernir do bem e do mal; estúpido; entulhado; sumido, que não se conhece bem; escuro; tenebroso uffa!
Como nossa sociedade é criativa em definir as pessoas, não é mesmo?

Para Erving Goffman “A sociedade estabelece os meios de categorizar as pessoas e o total de atributos considerados como comuns e naturais para os membros de cada uma dessas categorias” (apud COSTA, 2002). Entretanto, o objetivo de construir um vídeo que falasse sobre a visão de mundo de quem não vê, foi mais presente do que qualquer preconceito bobo e ignorante.

3 O diálogo possível
- Como é se relacionar com o mundo, sem vê-lo? - Mal a pergunta havia sido feita, um arrependimento de pronto veio, como já prevendo a resposta:
- Posso não vê com os olhos, mas percebo o mundo através do meu corpo... – diálogo construído com base no relato de um deficiente visual.

3.1 O processo
O documentário, reconhecido como gênero híbrido e autoral, serviu de palco para evidenciar como é possível conviver sem a visão. De acordo com Melo (2002), assim como ocorre na matéria jornalística em realizar uma narrativa baseada em fatos, o gênero documentário busca explicar logicamente um acontecimento.

Pelo documentário ocorre um processo ativo de fabricação de valores, significados e conceitos, pois, qualquer relato é sempre resultado de um trabalho de síntese, que envolve a seleção e ordenação de informações, e tal síntese pode variar dependendo da posição ideológica, social, cultural do sujeito que enuncia (MELO, 2002).

De acordo com Bill Nichols, (2005) foi através da paixão em ultrapassar os limites do cinema e descobrir novas possibilidades e formas que surgiu o gênero que tem por missão retratar a realidade recortada por meio de um ponto de vista.

O documentário se procupou em narrar uma dada realidade recortada por meio do ponto de vista parcial de quatro pessoas e, enquadrada através da ideologia de um grupo de trabalho.

O processo de construção acadêmico se deu de 9 a 26 de novembro de 2009, onde ocorreu cerca de três encontros oficiais com os integrantes do grupo de trabalho, para o devido planejamento de tarefas a serem executadas. Neste ínterim, foi-se percebendo que só corresponder ao cargo definido no início do trabalho tornaria sua execução lacunar. Deste modo, cada participante do grupo se prontificou a desenvolver outras funções, na produção de campo, captura, direção de filmagem e fotografia, roteiro, decupagem e edição.

“Quatro Histórias... Meu olhar do mundo, aqui do escuro”, narra como diferentes pessoas, porém com a cegueira em comum, se relacionam com o mundo. Iracema Vilaronga (mestre em educação); José Márcio (professor); Indiara de Carvalho (diretora da Associação Baiana de Cegos); e Luis Arcanjo (Sanfoneiro) descrevem como perderam a visão, o que é não enxergar, e o que pensam do preconceito que a sociedade tem de quem é cego.

Correspondendo a um dos pontos característicos do documentário, houve empenho em construir polifonia de vozes advindas do registro imaterial por meio dos relatos transformados, por conseguinte, em produção filmada e, em sequência, em documento material.

Já quanto ao registro, este se baseou no in loco contemporâneo, ou seja, registro imaterial feito no lugar em que ele ocorre (ambiente de trabalho e residência dos entrevistados).

É reconhecida, por todos os integrantes do grupo de trabalho, a falta de dinamismo visual do mine Doc. A isso se justifica não devido a falta de conhecimento de necessidade de cortes mais rápidos, de uso de imagens e planos diversos, de lirismo poético que correspondesse ao tema tratado, mas ao escasso tempo para a devida edição.

4 Considerações Finais
Abordar o tema deficiência visual fomenta em quem assiste aos depoimentos retratados no mine Doc. que estar na condição de cego não sugere sentir pena ou tristeza, e sim consciência das próprias limitações e a certeza de várias possibilidades. O documentário, como gênero jornalístico de caráter híbrido e autoral cumpre importante função de mobilizador da sociedade, no sentido de expor às pessoas outro modo de ver o mundo. De acordo com Nichols (2005) foi a visão descontraída e natural do cotidiano; uma série de ações e acontecimentos sinuosa e cheia de coincidências [...], o apoio de atores inexperientes [...], a ênfase nos problemas enfrentados por pessoas comuns no momento presente e não num passado histórico ou num futuro imaginado.

Ou seja, a busca pelo que fosse fiel a realidade; tanto pela fotografia, quanto pelo caráter psicológico e emocional dos ali retratados.

Diferentemente da modalidade reportagem, cujo conteúdo se dá através de dados factuais e do momento, o gênero documentário pode ir além, ao retornar no tempo tanto para resgatar uma memória social perdida, quanto para despertar uma reflexão ainda dormente.

No tocante ao formato, o apresentado à disciplina Telejornalismo II foi o cinematográfico, entretanto existem as possibilidades televisiva e digital, segundo Penafria (apud MELO, 2002). Já no que se refere ao alcance que tal modalidade pode ter, infelizmente, para cultura brasileira, assistir a documentários ainda vem a ser raro. Além do mais, tanto a produção e distribuição de DOCs. enfrentam sérias limitações. A TV Cultura é atualmente o único canal de televisão aberto que veicula, à sua programação, documentários. As emissoras que possuem maior índice de audiência dão preferência a programas de entretenimentos direcionados à teoria funcionalista da comunicação, na qual a televisão é tida como um meio de relaxamento depois de um dia cansativo de trabalho, sem nenhum comprometimento com a educação (ZANDONADE; FAGUNDES, 2003).

Tendo como pressuposto advindo de Melo (2002), de que o documentário é um produto audiovisual construído ao longo de todo seu processo de produção, que se chega a devida conclusão de que é possível informar às pessoas, mediante posicionamento próprio, particular. Sem máscaras e dissimulações inerentes as do telejornalismo.

Segundo Fiske (apud Melo, 2002), a estrutura do telejornalismo “não é suficientemente poderosa para ditar a qual voz nós devemos prestar mais atenção” o que, consequentemente, nos faz acreditar sermos nós a escolher que posição ter das coisas. Em contrapartida, a plataforma documentário é aberta o suficiente para dar a entender seu ponto de vista mediante a construção de vozes e, principalmente, a evidência de uma tese defendida pelo documentarista, ficando a cargo de quem assiste ao seu produto final, concordar ou não com a ideologia.

ReferênciasCOSTA, Valdelúcia Alves da. Diferença, desvio, preconceito e estigma: a questão da deficiência. Disponível em: < www.bengalalegal.com/trabalho.doc> Acesso em 01/10/2009 às 19h24.

MELO, C. T. V. de. O Documentário como Gênero Audiovisual. XXV CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO. Salvador, 2002.

NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. Trad. MARTINS, Monica Saddy. 1. Ed. Campinas: Papirus, 2005.

ZANDONADE, Vanessa; FAGUNDES, Maria Cristina de Jesus. O vídeo documentário como instrumento de mobilização social. Disponível em < http://bocc.ubi.pt/pag/zandonade-vanessa-video-documentario.html> Acesso em 02/12/2009 às 22h06.
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22 de junho de 2009

Fotografias de uma história radiofônica: olhares de Gisela Ortriwano

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Gisela Swetlana Ortriwano (1948 - 2003) formou-se em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e em Jornalismo pela Escola de Comunicação e Artes, ambas da Universidade de São Paulo. Além das atividades didáticas nas áreas de Jornalismo Radiofônico e Televisionado na Escola de Comunicações e Artes da USP e no Instituto Metodista de Ensino Superior, foi chefe do Setor de Pesquisa do Departamento de Jornalismo da Fundação Padre Anchieta – Rádio e Televisão Cultura de São Paulo, cargo anteriormente ocupado na TV Globo / SP, onde implantou o Setor de Pesquisa. Ao desenvolver as reflexões contidas em A informação no Rádio: os grupos de poder na determinação dos conteúdos, parte integrante de sua dissertação de mestrado, defendida em 1982, levantou cerca de 60 anos de história da Radiodifusão no Brasil. Sua importância, quais ideologias motivaram sua implantação, como esta se deu e por quais caminhos percorreu. Sua análise é interessante, na medida em que aponta e convida o leitor a reflexão do que poderia ter sido a radiodifusão no Brasil e no que se transformou.

Na retrospectiva da implantação do Rádio no Brasil, Ortriwano disseca sua gênese cultural e educativa, idealizada nos anos 20 por Roquette Pinto e Henry Morize, mas obstruída tanto pelo custo econômico de seus aparelhos receptores quanto pela programação, direcionada não para as grandes massas, na sua maioria analfabeta, mas para uma elite.

A necessidade de transformar comercial a transmissão radiofônica logo se fez

imperativo. O que antes devia ser erudito, educativo e cultural, tornou-se popular e comercial. Nesse contexto, as atenções dos empresários e chefes partidários se voltaram para as potencialidades do Rádio, não apenas como um canal mercantilista mais também como um mecanismo de controle do corpo social, defende a autora da obra.

Com o surgimento da televisão, a era de ouro do Rádio termina. As grandes produções dão lugar
à música e aos programas de notícia. É diante desse contexto que surge os grandes nomes do rádiojornalismo no Brasil, tais como o “Repórter Esso”, o “Grande Jornal Falado Tupi” e o “Matutino Tupi” entre outros. Junto a esse processo, as inúmeras emissoras (AM e FM) existentes sentem a necessidade de especializarem suas programações, o que fez surgir duas tendências: o Rádio de mobilização em contrapartida ao Rádio de relaxamento, de baixa estimulação.

Ortriwano também apresenta a situação da radiodifusão no Brasil, discute as leis de concessões brasileiras cujo círculo vicioso deixa à margem as grandes massas que se veem obrigadas a buscarem na clandestinidade vias de se fazerem ouvir.

A autora afirma ainda que “o Brasil ocupa o segundo lugar no quadro mundial de emissoras instaladas, superado apenas pelos Estados Unidos” (1985, p.37). O sistema de exploração da radiodifusão que o Brasil se enquadra é o sistema pluralista, existindo também, por outro lado, o sistema de monopólio ou autoritário, sendo que o papel social do sistema de exploração da radiodifusão se diferencia tanto quanto às funções (coleta de informações; expressão de opinião; função econômica e de organização social, entretenimento e distração, psicoterápica, ideológica, etc.) como quanto às doutrinas (demagógica dos publicitários; culturalista; dogmática e sóciodinâmica).

Agora, o Rádio é definido, segundo a autora, como objeto e, tem sua participação na sociedade delimitada tanto quanto ao poder público como quanto ao poder publicitário. São a esses poderes que o Rádio precisa provar que é eficiente em alcançar seus objetivos atuais: “o de atingir o ouvinte, o consumidor dos produtos e serviços anunciados” (1985, p.57). Portanto, são os poderes internos, econômicos e internacionais que definem qual conteúdo será disseminado pela radiodifusão.

A autora da obra utiliza os estudos de Faus para conceituar a mensagem radiofônica como mensagem possuidora de características específicas quanto à função do meio, dos componentes da mensagem, do ouvinte e do receptor. Já no tocante a estrutura, esta possui linguagem oral, de intensa penetração geográfica, possibilitando sua recepção em qualquer lugar, além de ter custo baixo em relação aos outros meios de comunicação. Sua mensagem estimula a participação do ouvinte por meio “de um diálogo mental” (1985, p.80), cuja forma imediata e instantânea atinge o receptor a qualquer hora, sem que este ouvinte esteja necessariamente fechado entre quatro paredes e preso a quilômetros de fios.

Já no final de sua obra, após tecer algumas definições que ilustram o dia-a-dia nas redações de rádio, Ortriwano faz um alerta sobre os critérios utilizados nos enquadramentos da notícia, e arremata ao verbalizar Somavía que “a informação é uma função social” (1985, p.113) que nunca deveria estar ligada as ideologias do mercado capital.

Gisela Swetlana Ortriwano avalia de modo cuidadoso a fotografia histórica, política e social
cuja informação no Rádio atravessou desde a sua implantação até os anos 80. A autora se preocupa em narrar fatos históricos, em refletir situações, em questionar barreiras e apresentar dados que possam facilitar a compreensão do processo de desenvolvimento desse canal de informação que hoje se vê além do eletrônico. Agora, a informação radiofônica aventura-se no ambiente digital.

A informação no Rádio: os grupos de poder na determinação dos conteúdos, obra da já falecida, Gisela Swetlana Ortriwano, é de grande importância nas praças acadêmicas, pois trata com propriedade, segurança e altíssimo grau de síntese, o universo que se desenvolveu a informação no Rádio. Leitura agradável, de vocabulário sóbrio e de fácil assimilação, recomendada a todos os estudantes de Jornalismo, profissionais da área e curiosos sobre a história do Rádio no Brasil.
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6 de junho de 2009

Autoconhecimento pode reduzir evasão no ensino privado

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O final do ensino médio encerra um ciclo de estudos e prepara os jovens para novos vôos içados pela formação universitária. É nessa fase que muitos se sentem pressionados a decidirem o caminho profissional que seguirão pelo resto da vida. Mas, nem sempre essa certeza inicial permanece e muitos desistem no meio do caminho.

Em 2007, o Censo da Educação Superior apontou para o aumento do número de estudantes que ingressaram para o ensino superior privado, 74,57%. Porém, tal volume se fragiliza pelo déficit considerável em relação aos não concluintes.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), apenas 55 % dos estudantes do ensino privado se formam. Uma das causas para a evasão universitária, segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) Reinaldo Fernandes, é a troca de cursos nos primeiros semestres e a dificuldade de pagar as mensalidades.

Especialistas da área educacional recomendam que habilidades e tendências naturais devam ser levadas em conta no ato da escolha da profissão. Acima de qualquer interesse, a realização pessoal tende a ser a mais importante. Após essa noção, a atitude seguinte é conhecer a profissão escolhida com mais propriedade e se imaginar executando suas atividades cotidianas.

Frequentar palestras e feiras profissionais, além de ler matérias que abordem o dia-a-dia da profissão ajuda na escolha. Atitude que o universitário Ulisses Barreto, 35 anos, demorou a fazer. Segundo ele, só após ter iniciado os cursos de Economia, seguidos pelo de Filosofia e Agronomia e, logo nos primeiros semestres, desistido de todos, é que, finalmente, se encontrou ao ingressar em mais uma Faculdade.

Atualmente, Ulisses, que está cursando o 4º semestre de Publicidade e Propaganda, se diz satisfeito com a sua última escolha.“O curso está realmente me permitindo desenvolver ferramentas para a área que atuo. Acho que agora me encontrei”, concluiu.
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13 de maio de 2009

A desconstrução da identidade nacional

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O homem é um ser social por natureza. Múltiplo e original, exerce influência sendo ao mesmo tempo influenciado pelo meio em que vive. Com o desenvolvimento tecnológico, o homem passou a si vê não apenas nos canais até então populares-fotográficos, impressos e audiovisuais (cinema), mais também no ambiente doméstico de sua casa, nos horários reservados para a família, para a conversa necessária no fim do dia. A rotina, tão comum, foi descartada para receber a presença ilustre da TV e suas programações.

Luz, cor, movimento. Novidade deliciosa para quem, há pouco, só tinha as ondas do rádio para se entreter e se informar.

Os grande espetáculos agora iam até o público, invadiam suas casas dando a sensação de conforto e, o que é melhor, de graça?! Esse efervecimento no sentido cultural teve dois significados importantes: primeiro, abria-se um novo campo de possibilidades; segundo, essas possibilidades ficaram restritas em poucas mãos - no eixo Rio-São Paulo (PRIOLLI, 2000, p, 19).

Se antes o brasileiro tinha orgulho de sua origem, regionalista, agora forçava-se a imitar os sotaques e vestimentas sulistas. A heterogeneidade que compõe o Brasil passou, de forma continua a ser reduzida a uma "identidade nacional".

"A televisão tem sido um poderoso instrumento de difusão desse sentimento nacional, que articula incluídos e excluídos em torno de uma certa ideia de Brasil [...] cumprem esse papel [...] desde o início dos anos 70, quando a tecnologia permitiu a implantação de uma rede de telecomunicações em todo o território [...] (PRIOLLI, 2000, p. 15).

O papel exercido pelo telejornalismo neste propósito foi fundamental, pois submeteu-se as pressões econômicas e partidárias, escondendo o conteúdo pobre e limitado de suas notícias pelo apuro técnico da forma que "eliminou o improviso, impôs uma duração rígida no noticiário, copidescou não só o texto como a entonação e o visual dos locutores" (REZENDE, 2004, p. 113).

É certo a existência de várias "identidades" que buscam reconhecimento, contudo elas são barradas quando tentam se fazer reconhecidas na tela da TV. Talvez isso se deva a visão mercadológica e política com o qual esse meio foi construído.
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26 de dezembro de 2008

Cultura da (des) informação

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Toda palavra se reveste de significações. Algumas são ingênuas, outras, profundas e capciosas, hábeis em esconder ideias ou emitir conceitos que se desejam apenas esboçar, sem comprometimento. Tal necessidade tomou forma a partir do momento em que o homem se deu conta de que fazia parte de uma sociedade feita de regras de conduta e que dependia do ato de se comunicar com os outros para conquistar posição social, política e econômica.

Os discursos, por sua vez, são práticas sociais e exercem papel importante nessa conquista, que, em grande parte, envolve uma disputa por um determinado tipo de poder. Nesse jogo de palavras, acontece uma “dança bélica” que conduz os mais bem-articulados, à vitória. O objetivo de informar, pressuposto de todo veículo de comunicação é, então, posto em segundo plano para emergir a hegemonia ideológica atuante.

De acordo com Sérgio Luiz do Amaral Moretti (1999), os Meios de Comunicação de Massa devem cumprir um importante papel, que é preparar as pessoas para o exercício de seus “direitos humanos, dos direitos de cidadão, ou seja, dos direitos civis, sociais e políticos”. Os MCM se propõem, socialmente, preencher lacunas deixadas pelas instituições educacionais, isto é, formar o cidadão para o exercício da cidadania. Contudo, tomam posições partidárias forradas, hipocritamente, de caráter imparcial.

Para Cáceres (1987b), uma boa parte dos brasileiros não usufrui de uma cultura política, a qual se defina pela “relação entre conhecer e fazer” (apud PERRUZO, 2006). A gênese desse problema se encontra na educação de base, maltratada pelo poder público, que se não é agente ativo do seu declínio, é culpado por permitir uma gestão inábil. Essa ignorância se torna crônica à medida que os próprios veículos de informação, ao prestarem serviços à comunidade, colocam essas ações praticadas como favores a sociedade e não como uma obrigação regida pela lei de concessão pública. Como, então, exigir que o cidadão desempenhe seu poder pelo voto, ao eleger seu representante, se desconhece os preceitos fundamentais que constituem o sistema político?

E para que haja uma compreensão melhor sobre o tema aqui tratado, é preciso trazer algumas discussões acerca do papel que os meios de comunicação desempenham. Para Valter Rodrigues na obra Comunicação na Polis, (2002, p. 209), “os meios de comunicação seriam, assim, a principal, para não dizer a única, tribuna democrática na qual o debate público entre o Estado e sociedade civil poderia se realizar”. De acordo com Heloísa Matos, na mesma obra, se vivencia uma “cultura de massa”, onde as figuras políticas se mostram em seus grandes papeis. “O político foi se tornando um novo tipo de star, o processo político atingindo a forma de espetáculo” (2002, p. 227), haja vista o desinteresse do homem comum para o cotidiano dos políticos.

À mídia é dado o papel de “experienciar e conhecer a vida, a realidade e o mundo”, afirma Antônio Rubim (2002, p. 48). Portanto, cumpre a função sociabilizadora nas relações entre os indivíduos; modifica sua cultura e cria um espaço com formas de palco, onde o mais importante é entreter do que informar.
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6 de junho de 2008

Chico Buarque por Mônica Salmaso

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Noites de gala no Castro Alves
Para quem esperava uma noite atípica de terça-feira, 13, não se decepcionou ao ir ao teatro Castro Alves. Na sala principal lotada, Mônica Salmaso junto com o grupo Pau Brasil apresentaram o show “Noites de gala, samba na rua”.
Selecionar o repertório foi tarefa difícil, já que adoro toda a obra de Chico Buarque, porém, eu escolhi umas setenta músicas que sempre me encantaram. O Pau Brasil por outro lado escolheu outras setenta, resolvemos, por fim, manter as de cujas sonoridades representariam de modo generoso o trabalho do grupo, disse Mônica Salmaso com sua doce voz refinada de contralto.

Ciranda da bailarina, Construção, O velho Francisco, Basta um dia, Partido alto e Beatriz foram algumas das quinze músicas que levaram ao êxtase o público soteropolitano. Toda apresentação foi aplaudida com ansiedade pelo auditório, sedentos por ouvirem Chico na voz da cantora popular brasileira que, nos últimos tempos, vem recebendo diversas críticas favoráveis sobre seu trabalho. Edu Lobo, Leny Andrade, Billboard Magazine, Jon Pareles e Bruce Gilman foram alguns dos que não pouparam elogios a graciosa interprete.

A apresentação, única e intimista, brindou os ali presentes com a sonoridade do grupo Pau Brasil, composto por Nelson Ayres no piano, Rodolfo Stroeter no baixo (esposo de Mônica Salmaso), Teco Cardoso no sax e flautas, Ricardo Mosca na bateria e Paulo Belinari no violão, integrante desde a primeira formação do grupo em 1978. O quinteto apresentou um desempenho formidável que envolveu a todos, independente dos níveis individuais de acuidade musical.

Quem esperava um show só com sambas, se decepcionou. Entre vários ritmos, os únicos sambas do show foram A volta do malandro, Quem te viu, quem te vê e Você Você.

“Noites de gala, samba na rua” é o segundo trabalho inédito de Mônica Salmaso pela Biscoito fino, e contempla as diferentes fases de Chico Buarque desde os anos 60 ao 90. A cantora iniciou a carreira musical cedo, aos 18 anos, na peça O concílio do amor, dirigida pelo premiado Gabriel Villela, em 1989. Foi indicada como revelação para o Prêmio Sharp-1997; vencedora do segundo Prêmio Visa MPB - edição Vocal em 1999, e ganhadora do prestigiado Prêmio da Associação Paulistana dos Críticos de Arte (APCA) de 1999.

Gravou os CDs Afro-sambas (1995), com sambas de autorias de Vinícios de Moraes e Banden Powell; Trampolim (1998), Voadeira (1999), Iaiá (2004), e Noites de gala, samba na rua (2007). Já se apresentou nos Estados Unidos, Europa, Canadá, México e Japão.






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“Janela da alma”, o olhar em pauta

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Analisar as facetas do olhar e suas deficiências requer tato e conhecimento da natureza humana. Para se olhar basta estar vivo. O organismo executa o trabalho que, tecnicamente, necessita da córnea, cristalino, íris e retina, elementos constitutivos do olho. Ver, por sua vez, demanda interpretar além da superficialidade.

O documentário Janela da Alma cumpre esta missão e sintetiza 30 horas de gravação em 73 minutos de pura arte. Sua linha narrativa faz uma análise filosófica da relação entre a mídia e o sistema neoliberal, e provoca aos espectadores olhar a vida com sensibilidade. O filme apresenta 19 entrevistados, como José Saramago, Nobel pelo livro Ensaio Sobre a Cegueira, cineastas Wim Wenders, Hanna Shygulla, Oliver Sacks, e o músico Hermeto Pascoal, entre outros, que narram momentos importantes de suas vidas, sua relação com a visão ou a falta dela.

A natureza humana, estereótipos, traumas e superações são alguns temas tratados pela obra audiovisual, que ganhou prêmios de Melhor Filme, no Festival de Cinema Brasileiro, em Paris; Melhor Documentário, no Festival do Rio de Janeiro, em 2001, e Troféu BR pelo prêmio de melhor diretor estreante, no festival de Gramado.

A produção audiovisual de João Jardim e Walter Carvalho produzido em 2001 está em única exibição, hoje,  na sala principal da Biblioteca Central dos Barris, em Salvador.  Entrada franca.
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