29 de abril de 2010

Sucom Móvel atende entidades evangélicas em Pau da Lima

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A Sucom realizou mais um mutirão de atendimento a igrejas evangélicas na manhã do último sábado (22) através do projeto Sucom Móvel. Desta vez, a ação ocorreu na Igreja Batista Missionária Filadélfia (Rua Tenente Nelson, nº 9), em Pau da Lima, onde líderes evangélicos do bairro e adjacências puderam requerer a abertura de processos de Termos de Viabilidade de Localização (TVLs) de suas igrejas. O mutirão foi realizado a pedido dos pastores que se mostraram atentos à importância de manter suas entidades legalizadas.

Além da abertura de 23 processos de formalização de atividade, os atendentes da instituição municipal procederam a abertura de denúncias de empreendimento irregular, fizeram consultas a processo de TVL e prestaram orientações sobre poluição sonora.

Pastores evangélicos das localidades de São Marcos, Colina Azul, Pau da Lima e localidades próximas presenciaram a homenagem que a Federação das Associações de Moradores do Movimento Comunitário na Bahia (FAMMCEBA) prestou ao superintendente da Sucom, Cláudio Silva. O gestor recebeu da associação o título de qualidade na prestação dos serviços públicos à população de Salvador. “O trabalho que a Sucom vem desenvolvendo é fundamental devido à transparência das suas ações”, disse o presidente da FAMMCEBA, pastor Vivaldino dos Santos.

Cláudio Silva aproveitou a ocasião para falar da relevância social das entidades religiosas. “As igrejas não se ocupam apenas em evangelizar, mas também exercem o papel de complementar ações do Estado quando se voltam para a educação, segurança pública e saúde da sua comunidade”.

O Projeto itinerante Sucom Móvel realizou um mutirão semelhante para a regularização de igrejas evangélicas na última quinta-feira (20). Em março, a Sucom contemplou representantes de terreiros de candomblé instalados no Parque São Cristóvão e adjacências. No mesmo mês, o projeto Rede Sucom atendeu os responsáveis por entidades de Águas Claras e Cajazeiras, orientando-os sobre os serviços da autarquia. Em outubro de 2009, houve no Aquidabã um mutirão de licenciamento para igrejas evangélicas. Também em 2009, nos dias 13 e 14 de novembro, a superintendência participou do “I Fórum o Povo de Santo e Turismo Étnico de Águas Claras e Cajazeiras”, realizado em Águas Claras.
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28 de janeiro de 2010

Suburbana é beneficiada com o primeiro SUCOM nos Bairros de 2010

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Foto: Rosângela Lira
No último sábado, (23), Wellington dos Santos foi a mais uma edição do Sucom nos Bairros e, em pouco tempo, sem precisar pegar fila, pagar transporte ou até mesmo fechar seu pequeno comércio, concluiu a retirada do TVL - Termo de Viabilidade de Localização – ou seja, o pré-licenciamento do seu negócio, interrompido anteriormente. Graças ao projeto Sucom nos Bairros, cuja 22ª edição, primeira de 2010, contemplou os comerciantes da Suburbana. O atendimento ocorreu na Escola Municipal Professora Eufrosina Miranda, entre 9 e 15h, na Rua Aterro do Joanes, nº 96, no bairro do Lobato.

Conforme Eliana Marback, gerente de Informações e Sistemas da Sucom, a 22ª edição do projeto Sucom nos Bairros é reflexo da Operação Choque de Ordem ocorrida na Suburbana em dezembro do ano passado, que culminou com a retirada de sucatas das calçadas. “Recebemos hoje várias pessoas querendo legalizar a atividade de venda de peças de carros. Isso reafirma o trabalho educativo que a Sucom vem exercendo nos últimos tempos”, concluiu.

Já para o superintendente da Sucom, Cláudio Silva, presente no mutirão, o trabalho do Sucom nos Bairros se consolidou como uma oportunidade de as pessoas se regularizarem perante o município. “O propósito da Sucom é garantir que essas pessoas tenham a possibilidade de explorar suas atividades para sobreviverem de forma digna”.

O chefe da autarquia enumerou também alguns benefícios diretos obtidos pelo cidadão que se legaliza: “Além do direito de poder exercer determinada atividade, estando legal, o cidadão vai poder tomar empréstimo em banco e até mesmo distribuir material publicitário para atrair novos clientes para o seu negócio.”

O pequeno empresário do bairro do Lobato, Luciano Bastos, 36, explicou ter passado por sérias dificuldades antes de dar o primeiro passo para legalizar sua atividade comercial: “Eu abri uma empresa a pouco tempo e meu funcionários queriam que eu assinasse a carteira. Agora, já poderei contratar até mais pessoas para trabalhar pra mim”, pontuou.

O projeto itinerante Sucom nos Bairros tem por finalidade descentralizar o atendimento da autarquia oferecido à população de Salvador que, habitualmente, precisa se deslocar até a sede do órgão, na Av. Bonocô, ou aos postos de atendimento instalados nos SACs Boca do Rio e Iguatemi.

Moradores das localidades da Ilha de Maré, Santa Cruz, São Caetano, Cabula, Fazenda Coutos, Boca do Rio, Nova Brasília, Liberdade, Pernambués, Cajazeiras VIII, Periperi, Engenho Velho da Federação, Parque São Cristóvão, Bairro da Paz, Ribeira, Uruguai, IAPI, São Marcos, Paripe, Sussuarana e Campinas de Pirajá já se beneficiaram com o projeto que já regularizou mais de 500 empresas, com aproximadamente 4.000 ações educativas realizadas pela autarquia, além de proceder a abertura de cerca de 600 processos.

Mais informações sobre os serviços da Sucom no site www.sucom.ba.gov.br ou através do Alô Sucom (2201-6900).
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12 de dezembro de 2009

Distúrbio mental pode tingir mais de 176 mi de pessoas no mundo

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A correria da 'vida moderna' tem abalado a saúde mental dos indivíduos. É comum o parecer médico apontar distúrbios de comportamento e até mesmo mentais numa sociedade cada vez mais acelerada e fóbica. O estresse é considerado como um dos vilões que afentam a qualidade de vida das pessoas e a depressão é apenas um indício de que algo não está bem.

De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde, estima-se que até 2010 o número de pessoas que sofrerão com algum tipo de distúrbio mental chegue a 176 milhões. Só no Brasil, em 2008, quase 13 mil pessoas foram afastadas de suas funções devido a algum transtorno mental ou de comportamento. Nos casos mais graves, consequentemente, é preciso tratamento psicossocial, além da prescrição de medicamentos que contribuam para o restabelecimento do indivíduo.

A Lei Paulo Delgado nº. 10.216, aos poucos vem, promovendo um novo viés ao tratamento dos distúrbios mentais. Tentativa de minimizar os estigmas de séculos de exclusão proporcionada pelos asilos psiquiátricos.

No Brasil, a reforma na atenção psiquiátrica, exigida desde a década de 70, e celebrada apenas a partir de 2001, traça os primeiros passos rumo à recuperação socialmente correta de quem sofre com o problema. Essa recuperação, porém, anda a passos lentos, principalmente quando o doente é pobre e necessita de tratamento gratuito.

O caso de Pedro Vicente, que passou a ser conhecido após fuga cinematográfica registrada pelas câmeras dos jornais, é um exemplo de como ainda é difícil tratar quem foi diagnosticado possuidor de algum transtorno mental.

Abandonado pela mãe com 1 ano, Pedro foi criado pelo pai. Aos 9 anos, começou com maconha, comprada em frente ao Colégio Estadual Luis Vianna Filho, em Brotas, onde estudava. Aos 12, ganhou do traficante uma arma para tomar conta de uma boca-de-fumo. Mas a esquizofrenia só foi detectada aos 14, quando ele não concluiu a 5ª série (CORREIO. Crack destrói família do 'Homem-Aranha' fotografado pelo CORREIO, 2009).

Raimundo dos Santos, 54 anos, tem buscado internar o filho em diversos hospitais psiquiátricos de Salvador. “Estive no Sanatório São Paulo, o Mário Leal, o Juliano Moreira. Se alguém aceita ele, não estava daquele jeito no jornal”, lamentou .


O Centro de Atenção Psicossocial Aristides Novis (CAPS), aceitou tratá-lo, porém Pedro, ao começar o tratamento, logo desistiu. Para o pai, o ideal seria tirar o filho do ambiente onde haja facilidade de conseguir drogas. Opinião refletida a do psiquiatra Esdras Cabus. “Quando existe comorbidade com outra doença psiquiátrica, a situação ainda é mais dramática”, pontuou.

Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são serviços de saúde mental abertos e comunitários do Sistema Único de Saúde – SUS, destinados a prestar atenção diária a pessoas com transtornos mentais severos e persistentes. Seu objetivo é oferecer atendimento à população de sua área de abrangência, realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.

Discípulo de Philippe Pinel, o psiquiatra Frances Jean-Étienne Dominique Esquirol (1772-1840), reconhecido por ter diferenciado a demência (doença mental) e amência (deficiência mental), justificou o isolamento dos doentes mentais como meios de garantir a segurança pessoal deles e de seus familiares.

A existência de posição favorável às internações para Michel Foucault (2007, p. 109) se correlaciona às exigências da ordem social contra a desordem dos loucos; mas, há quem brigue para que os Centros de Atenção Psicossocial tomem o lugar dos antigos manicômios.

No dia 30 de setembro de 2009, cerca de duas mil pessoas se reuniram em frente ao Museu da República, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A esse movimento foi dado o nome de Marcha Antimanicomial, evento promovido pela Rede Nacional de Internúcleos da Luta Antimanicomial, com o apoio do Conselho Federal de Psicologia que, além de defender o Sistema Único de Saúde, luta pelo cumprimento da lei da reforma psiquiátrica, a realização da 4ª Conferência Nacional de Saúde Mental e a implantação do programa de Volta Para Casa.

Fala-se muito da importância que a reforma tem no trato psiquiátrico e o quanto é necessário recuperar a dignidade de quem sofre com o problema. Pouco se fala, porém, é que o problema mais grave hoje é a saúde social.

Enquanto nossa sociedade não tratar devidamente tais conflitos, muitos Pedros verão o futuro de uma vida digna escoar pelo ralo da burocracia.
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Quatro histórias... "Meu olhar do mundo, aqui do escuro”

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Compreender o mundo visual de quem enxerga do escuro foi o estímulo que norteou os primeiros passos no desenvolvimento do mine documentário intitulado “Quatro histórias... Meu olhar do mundo, aqui do escuro”,

Encontrar pessoas que pudessem falar desse universo desconhecido foi o primeiro desafio encontrado, apesar das estatisticas apontarem o contrário. Só na capital baiana cerca de 450 mil pessoas convívem com a deficiência visual, de acordo com o diretor de Educação e Cultura da Associação Baiana de Cegos, Ednilsom Sacramento. Vencido este primeiro desafio, o segundo não tardou a surgir: vencer a ideia particular e pré-concebida de ter que ser politicamente correto e escolher palavras sinônimas a “cego” no trato com os deficientes visuais.

O medo de causar constrangimento, porém, teve que ser esquecido. Afinal, como não ser, não dizer, não saber exatamente o que se é? A partir daí, olhos, antes cegos pela luz do dia, pelo bombardeio de imagens, viu-se a enxergar novas possibilidades de interagir com o mundo através dos olhos de quem não vê.

2 Conhecendo o desconhecido
Ao consultar um dicionário, percebi vários significados na língua portuguesa que define o que é ser “cego”. Ser cego, portanto, significa ser alucinado; ignorante; quem não sabe discernir do bem e do mal; estúpido; entulhado; sumido, que não se conhece bem; escuro; tenebroso uffa!
Como nossa sociedade é criativa em definir as pessoas, não é mesmo?

Para Erving Goffman “A sociedade estabelece os meios de categorizar as pessoas e o total de atributos considerados como comuns e naturais para os membros de cada uma dessas categorias” (apud COSTA, 2002). Entretanto, o objetivo de construir um vídeo que falasse sobre a visão de mundo de quem não vê, foi mais presente do que qualquer preconceito bobo e ignorante.

3 O diálogo possível
- Como é se relacionar com o mundo, sem vê-lo? - Mal a pergunta havia sido feita, um arrependimento de pronto veio, como já prevendo a resposta:
- Posso não vê com os olhos, mas percebo o mundo através do meu corpo... – diálogo construído com base no relato de um deficiente visual.

3.1 O processo
O documentário, reconhecido como gênero híbrido e autoral, serviu de palco para evidenciar como é possível conviver sem a visão. De acordo com Melo (2002), assim como ocorre na matéria jornalística em realizar uma narrativa baseada em fatos, o gênero documentário busca explicar logicamente um acontecimento.

Pelo documentário ocorre um processo ativo de fabricação de valores, significados e conceitos, pois, qualquer relato é sempre resultado de um trabalho de síntese, que envolve a seleção e ordenação de informações, e tal síntese pode variar dependendo da posição ideológica, social, cultural do sujeito que enuncia (MELO, 2002).

De acordo com Bill Nichols, (2005) foi através da paixão em ultrapassar os limites do cinema e descobrir novas possibilidades e formas que surgiu o gênero que tem por missão retratar a realidade recortada por meio de um ponto de vista.

O documentário se procupou em narrar uma dada realidade recortada por meio do ponto de vista parcial de quatro pessoas e, enquadrada através da ideologia de um grupo de trabalho.

O processo de construção acadêmico se deu de 9 a 26 de novembro de 2009, onde ocorreu cerca de três encontros oficiais com os integrantes do grupo de trabalho, para o devido planejamento de tarefas a serem executadas. Neste ínterim, foi-se percebendo que só corresponder ao cargo definido no início do trabalho tornaria sua execução lacunar. Deste modo, cada participante do grupo se prontificou a desenvolver outras funções, na produção de campo, captura, direção de filmagem e fotografia, roteiro, decupagem e edição.

“Quatro Histórias... Meu olhar do mundo, aqui do escuro”, narra como diferentes pessoas, porém com a cegueira em comum, se relacionam com o mundo. Iracema Vilaronga (mestre em educação); José Márcio (professor); Indiara de Carvalho (diretora da Associação Baiana de Cegos); e Luis Arcanjo (Sanfoneiro) descrevem como perderam a visão, o que é não enxergar, e o que pensam do preconceito que a sociedade tem de quem é cego.

Correspondendo a um dos pontos característicos do documentário, houve empenho em construir polifonia de vozes advindas do registro imaterial por meio dos relatos transformados, por conseguinte, em produção filmada e, em sequência, em documento material.

Já quanto ao registro, este se baseou no in loco contemporâneo, ou seja, registro imaterial feito no lugar em que ele ocorre (ambiente de trabalho e residência dos entrevistados).

É reconhecida, por todos os integrantes do grupo de trabalho, a falta de dinamismo visual do mine Doc. A isso se justifica não devido a falta de conhecimento de necessidade de cortes mais rápidos, de uso de imagens e planos diversos, de lirismo poético que correspondesse ao tema tratado, mas ao escasso tempo para a devida edição.

4 Considerações Finais
Abordar o tema deficiência visual fomenta em quem assiste aos depoimentos retratados no mine Doc. que estar na condição de cego não sugere sentir pena ou tristeza, e sim consciência das próprias limitações e a certeza de várias possibilidades. O documentário, como gênero jornalístico de caráter híbrido e autoral cumpre importante função de mobilizador da sociedade, no sentido de expor às pessoas outro modo de ver o mundo. De acordo com Nichols (2005) foi a visão descontraída e natural do cotidiano; uma série de ações e acontecimentos sinuosa e cheia de coincidências [...], o apoio de atores inexperientes [...], a ênfase nos problemas enfrentados por pessoas comuns no momento presente e não num passado histórico ou num futuro imaginado.

Ou seja, a busca pelo que fosse fiel a realidade; tanto pela fotografia, quanto pelo caráter psicológico e emocional dos ali retratados.

Diferentemente da modalidade reportagem, cujo conteúdo se dá através de dados factuais e do momento, o gênero documentário pode ir além, ao retornar no tempo tanto para resgatar uma memória social perdida, quanto para despertar uma reflexão ainda dormente.

No tocante ao formato, o apresentado à disciplina Telejornalismo II foi o cinematográfico, entretanto existem as possibilidades televisiva e digital, segundo Penafria (apud MELO, 2002). Já no que se refere ao alcance que tal modalidade pode ter, infelizmente, para cultura brasileira, assistir a documentários ainda vem a ser raro. Além do mais, tanto a produção e distribuição de DOCs. enfrentam sérias limitações. A TV Cultura é atualmente o único canal de televisão aberto que veicula, à sua programação, documentários. As emissoras que possuem maior índice de audiência dão preferência a programas de entretenimentos direcionados à teoria funcionalista da comunicação, na qual a televisão é tida como um meio de relaxamento depois de um dia cansativo de trabalho, sem nenhum comprometimento com a educação (ZANDONADE; FAGUNDES, 2003).

Tendo como pressuposto advindo de Melo (2002), de que o documentário é um produto audiovisual construído ao longo de todo seu processo de produção, que se chega a devida conclusão de que é possível informar às pessoas, mediante posicionamento próprio, particular. Sem máscaras e dissimulações inerentes as do telejornalismo.

Segundo Fiske (apud Melo, 2002), a estrutura do telejornalismo “não é suficientemente poderosa para ditar a qual voz nós devemos prestar mais atenção” o que, consequentemente, nos faz acreditar sermos nós a escolher que posição ter das coisas. Em contrapartida, a plataforma documentário é aberta o suficiente para dar a entender seu ponto de vista mediante a construção de vozes e, principalmente, a evidência de uma tese defendida pelo documentarista, ficando a cargo de quem assiste ao seu produto final, concordar ou não com a ideologia.

ReferênciasCOSTA, Valdelúcia Alves da. Diferença, desvio, preconceito e estigma: a questão da deficiência. Disponível em: < www.bengalalegal.com/trabalho.doc> Acesso em 01/10/2009 às 19h24.

MELO, C. T. V. de. O Documentário como Gênero Audiovisual. XXV CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO. Salvador, 2002.

NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. Trad. MARTINS, Monica Saddy. 1. Ed. Campinas: Papirus, 2005.

ZANDONADE, Vanessa; FAGUNDES, Maria Cristina de Jesus. O vídeo documentário como instrumento de mobilização social. Disponível em < http://bocc.ubi.pt/pag/zandonade-vanessa-video-documentario.html> Acesso em 02/12/2009 às 22h06.
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22 de junho de 2009

Fotografias de uma história radiofônica: olhares de Gisela Ortriwano

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Gisela Swetlana Ortriwano (1948 - 2003) formou-se em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e em Jornalismo pela Escola de Comunicação e Artes, ambas da Universidade de São Paulo. Além das atividades didáticas nas áreas de Jornalismo Radiofônico e Televisionado na Escola de Comunicações e Artes da USP e no Instituto Metodista de Ensino Superior, foi chefe do Setor de Pesquisa do Departamento de Jornalismo da Fundação Padre Anchieta – Rádio e Televisão Cultura de São Paulo, cargo anteriormente ocupado na TV Globo / SP, onde implantou o Setor de Pesquisa. Ao desenvolver as reflexões contidas em A informação no Rádio: os grupos de poder na determinação dos conteúdos, parte integrante de sua dissertação de mestrado, defendida em 1982, levantou cerca de 60 anos de história da Radiodifusão no Brasil. Sua importância, quais ideologias motivaram sua implantação, como esta se deu e por quais caminhos percorreu. Sua análise é interessante, na medida em que aponta e convida o leitor a reflexão do que poderia ter sido a radiodifusão no Brasil e no que se transformou.

Na retrospectiva da implantação do Rádio no Brasil, Ortriwano disseca sua gênese cultural e educativa, idealizada nos anos 20 por Roquette Pinto e Henry Morize, mas obstruída tanto pelo custo econômico de seus aparelhos receptores quanto pela programação, direcionada não para as grandes massas, na sua maioria analfabeta, mas para uma elite.

A necessidade de transformar comercial a transmissão radiofônica logo se fez

imperativo. O que antes devia ser erudito, educativo e cultural, tornou-se popular e comercial. Nesse contexto, as atenções dos empresários e chefes partidários se voltaram para as potencialidades do Rádio, não apenas como um canal mercantilista mais também como um mecanismo de controle do corpo social, defende a autora da obra.

Com o surgimento da televisão, a era de ouro do Rádio termina. As grandes produções dão lugar
à música e aos programas de notícia. É diante desse contexto que surge os grandes nomes do rádiojornalismo no Brasil, tais como o “Repórter Esso”, o “Grande Jornal Falado Tupi” e o “Matutino Tupi” entre outros. Junto a esse processo, as inúmeras emissoras (AM e FM) existentes sentem a necessidade de especializarem suas programações, o que fez surgir duas tendências: o Rádio de mobilização em contrapartida ao Rádio de relaxamento, de baixa estimulação.

Ortriwano também apresenta a situação da radiodifusão no Brasil, discute as leis de concessões brasileiras cujo círculo vicioso deixa à margem as grandes massas que se veem obrigadas a buscarem na clandestinidade vias de se fazerem ouvir.

A autora afirma ainda que “o Brasil ocupa o segundo lugar no quadro mundial de emissoras instaladas, superado apenas pelos Estados Unidos” (1985, p.37). O sistema de exploração da radiodifusão que o Brasil se enquadra é o sistema pluralista, existindo também, por outro lado, o sistema de monopólio ou autoritário, sendo que o papel social do sistema de exploração da radiodifusão se diferencia tanto quanto às funções (coleta de informações; expressão de opinião; função econômica e de organização social, entretenimento e distração, psicoterápica, ideológica, etc.) como quanto às doutrinas (demagógica dos publicitários; culturalista; dogmática e sóciodinâmica).

Agora, o Rádio é definido, segundo a autora, como objeto e, tem sua participação na sociedade delimitada tanto quanto ao poder público como quanto ao poder publicitário. São a esses poderes que o Rádio precisa provar que é eficiente em alcançar seus objetivos atuais: “o de atingir o ouvinte, o consumidor dos produtos e serviços anunciados” (1985, p.57). Portanto, são os poderes internos, econômicos e internacionais que definem qual conteúdo será disseminado pela radiodifusão.

A autora da obra utiliza os estudos de Faus para conceituar a mensagem radiofônica como mensagem possuidora de características específicas quanto à função do meio, dos componentes da mensagem, do ouvinte e do receptor. Já no tocante a estrutura, esta possui linguagem oral, de intensa penetração geográfica, possibilitando sua recepção em qualquer lugar, além de ter custo baixo em relação aos outros meios de comunicação. Sua mensagem estimula a participação do ouvinte por meio “de um diálogo mental” (1985, p.80), cuja forma imediata e instantânea atinge o receptor a qualquer hora, sem que este ouvinte esteja necessariamente fechado entre quatro paredes e preso a quilômetros de fios.

Já no final de sua obra, após tecer algumas definições que ilustram o dia-a-dia nas redações de rádio, Ortriwano faz um alerta sobre os critérios utilizados nos enquadramentos da notícia, e arremata ao verbalizar Somavía que “a informação é uma função social” (1985, p.113) que nunca deveria estar ligada as ideologias do mercado capital.

Gisela Swetlana Ortriwano avalia de modo cuidadoso a fotografia histórica, política e social
cuja informação no Rádio atravessou desde a sua implantação até os anos 80. A autora se preocupa em narrar fatos históricos, em refletir situações, em questionar barreiras e apresentar dados que possam facilitar a compreensão do processo de desenvolvimento desse canal de informação que hoje se vê além do eletrônico. Agora, a informação radiofônica aventura-se no ambiente digital.

A informação no Rádio: os grupos de poder na determinação dos conteúdos, obra da já falecida, Gisela Swetlana Ortriwano, é de grande importância nas praças acadêmicas, pois trata com propriedade, segurança e altíssimo grau de síntese, o universo que se desenvolveu a informação no Rádio. Leitura agradável, de vocabulário sóbrio e de fácil assimilação, recomendada a todos os estudantes de Jornalismo, profissionais da área e curiosos sobre a história do Rádio no Brasil.
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